A possibilidade de um entendimento entre o senador Jayme Campos e o grupo político ligado ao ex-governador Mauro Mendes perdeu força, segundo avaliação do ex-secretário Cesar Miranda. Para ele, o União Brasil em Mato Grosso já opera em linhas diferentes, o que dificulta a formação de uma aliança única.
Jayme trabalha para disputar o governo do Estado nas eleições de outubro, enquanto Mauro, que preside a legenda no estado, já manifestou apoio à tentativa de reeleição do atual governador Otaviano Pivetta, do Republicanos. Na leitura de Miranda, esse desenho torna improvável a repetição das alianças que venceram em 2018 e 2022.
O ex-secretário afirmou que o momento político é marcado por falhas de comunicação entre as principais lideranças. Na visão dele, um nome com o peso de Jayme Campos deveria ter sido mais ouvido nas decisões internas do partido e do bloco governista.
Miranda também considerou fora de tempo a aproximação feita por interlocutores de Pivetta em busca de composição. A avaliação reforça a percepção de que o arranjo eleitoral começou a se desorganizar antes mesmo da definição final das candidaturas.
Mesmo com o desgaste público entre Jayme e Mauro, Miranda disse não ver desconforto nas críticas feitas pelo senador ao ex-governador. Recentemente, Jayme chamou de desnecessário e elitista o investimento de cerca de R$ 3 bilhões no Parque Novo Mato Grosso, uma das marcas da gestão Mendes.
O senador defendeu que o dinheiro poderia ter ido para educação, saúde e apoio financeiro aos municípios. Ao comentar o próprio passado no governo estadual, Miranda disse ter orgulho da experiência e afirmou ter saído “muito maior” do que entrou.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A leitura de Miranda mostra que a disputa em Mato Grosso já começou a produzir custo político dentro do União Brasil. Quando lideranças com peso diferente seguem rotas próprias, a tendência é de mais dificuldade para montar palanques competitivos e menos previsibilidade para o eleitor. Para o cidadão, isso importa porque a fragmentação pode atrasar acordos sobre prioridades concretas, como obras, saúde e repasses aos municípios. Também enfraquece a clareza sobre quem, de fato, comandará a agenda do grupo no próximo ciclo eleitoral.

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