Terminal ferroviário em Dom Aquino entra na reta final e pressiona debate sobre logística em Mato Grosso

A inauguração do primeiro Terminal Ferroviário da Ferrovia Estadual Senador Vicente Vuolo, em Dom Aquino, recoloca a logística de Mato Grosso no centro da disputa por competitividade. Prevista para este sábado, às 9h, a entrega da estrutura marca a entrada em operação de um trecho de 162 quilômetros projetado para mudar o fluxo da produção no estado.

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) fez uma visita técnica ao terminal antes da abertura oficial. Ele esteve acompanhado de representantes da Rumo Logística e voltou a defender a ferrovia como resposta a um problema antigo de Mato Grosso: o custo para transportar o que o estado produz.

A obra, segundo os dados apresentados na visita, recebeu cerca de R$ 5 bilhões em investimentos, mobilizou mais de cinco mil trabalhadores e levou três anos para ser executada. A capacidade do terminal chama atenção: até 10 milhões de toneladas por ano, com cinco tombadores de caminhões e armazenagem entre 40 mil e 50 mil toneladas de grãos.

Na prática, a expectativa é que a estrutura alivie gargalos que afetam produtores, transportadoras e indústrias. Menor tempo de espera de caminhões e mais eficiência no embarque podem reduzir perdas operacionais e encurtar o caminho entre a safra e os portos, ponto sensível para a competitividade do agronegócio mato-grossense.

A operação também tem impacto regional imediato. A futura gestão do terminal informou que mais de 200 trabalhadores estão sendo contratados na própria região, o que deve reforçar renda e atividade econômica em Dom Aquino e municípios vizinhos como Primavera do Leste, Campo Verde e Poxoréu.

Durante a visita, a Rumo também tratou do ramal ferroviário de Cuiabá. A empresa já protocolou na Secretaria de Estado de Meio Ambiente o pedido de licença de instalação para os primeiros 45 quilômetros do traçado, que ainda passará por refinamento de engenharia antes da definição final.

A ferrovia Senador Vicente Vuolo foi formalizada em 2021 como a primeira ferrovia estadual do país. O projeto, que integra o Novo PAC, prevê cerca de 740 quilômetros de linha férrea, conexão com 16 municípios e ligação até o Porto de Santos, com investimento privado integral.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A entrada em operação de um terminal ferroviário desse porte tende a mexer com a estrutura de custos do agronegócio em Mato Grosso. Se o escoamento ficar mais eficiente, há chance de aliviar pressões sobre frete e reduzir desperdícios na cadeia. Isso importa para produtores, transportadoras e também para o consumidor, porque logística mais barata pode conter parte do repasse de preços ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, o avanço da ferrovia reforça a disputa por investimento em infraestrutura, hoje um dos principais freios ao crescimento regional.

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