Júlio Campos pressiona União Brasil por voto direto e cobra menos poder da cúpula em Mato Grosso

O deputado estadual Júlio Campos (União) elevou a temperatura da disputa interna no União Brasil em Mato Grosso ao defender que a escolha das candidaturas deixe de ficar concentrada na direção partidária. Em meio à proximidade da convenção, ele afirma que o modelo atual afasta a base e reforça a disputa entre grupos rivais.

Pelo estatuto da sigla, a decisão nas convenções acaba sendo influenciada por um colegiado de 52 dirigentes e mandatários. Na prática, esse grupo define o rumo das principais candidaturas, o que, segundo o deputado, mantém o controle nas mãos de poucos e reduz o peso dos filiados.

Júlio Campos disse que a votação interna é secreta e que nomes com mandato também precisam passar pelo crivo desse núcleo restrito. Ele citou que a disputa por vagas pode envolver até concorrência entre lideranças da própria legenda, o que intensifica as articulações nos bastidores.

Ao tratar da possível candidatura de Jayme Campos, o parlamentar afirmou que nada está fechado antes da convenção. Para ele, o resultado dependerá de maioria entre os 52 votantes, cenário que tem levado aliados a trabalhar para garantir apoio dentro do colegiado.

Se a ala ligada ao Palácio Paiaguás vencer a disputa interna, Júlio Campos admite que o grupo poderá recuar e aguardar o desfecho político depois da convenção. Mesmo assim, ele evita falar em ruptura, apostando que o partido seguirá unido após a definição formal das candidaturas.

O deputado também rechaçou a ideia de que o problema do União Brasil seja excesso de lideranças. Na avaliação dele, o desgaste vem da condução centralizada da sigla e do que chamou de postura autoritária da direção estadual comandada por Mauro Mendes.

Como saída, Júlio Campos defendeu mais participação dos filiados e mencionou que a tradição do partido sempre foi a consulta à base. Ele disse que a militância do interior quer candidatura própria e minimizou o impacto das recentes desfiliações de aliados do grupo adversário.

RODAPE:
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A disputa expõe um problema recorrente na política partidária: quem controla a máquina interna tende a controlar também o acesso às candidaturas. Quando a decisão fica restrita a poucos, a base perde influência e a chance de racha aumenta. Em Mato Grosso, isso pode afetar alianças, palanques e até a capacidade do União Brasil de chegar competitivo em 2026. Para o eleitor, o efeito prático é ver um partido mais ocupado com sua própria engenharia interna do que com propostas.

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