O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a prisão domiciliar de Luiz Antônio Villar de Sena, condenado a 14 anos por participar e registrar em vídeo os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. A decisão foi tomada em 3 de junho, após pedido da defesa e avaliação do quadro de saúde do réu.
A medida leva em conta que o condenado, de 66 anos, tem depressão com ideação suicida e tentou tirar a própria vida dentro do Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana. O STF considerou ainda que a unidade prisional informou não ter condições de garantir o tratamento adequado.
Pelo despacho, a saída do regime fechado não será livre. Luiz Antônio terá de usar tornozeleira eletrônica, com suspensão do passaporte, impedimento de deixar o país e proibição de acessar redes sociais. Ele também não poderá conversar com outros réus nem receber visitas sem autorização do Supremo.
Os autos registram que ele usou o próprio celular para transmitir ao vivo a invasão e a movimentação golpista na Praça dos Três Poderes. Na gravação, ele afirma que o grupo já havia entrado havia cerca de uma hora e descreve a chegada de pessoas que estavam no quartel.
Além do histórico de ideação suicida, o laudo citado no processo aponta piora da memória, humor deprimido, choro frequente, dores nos joelhos e dois episódios de desmaio nos últimos 30 dias, associados a taquicardia. O documento também menciona episódio semelhante ocorrido na própria unidade prisional.
Luiz Antônio estava preso no centro de ressocialização desde 22 de abril de 2026. O caso volta a colocar em evidência os efeitos jurídicos e políticos do 8 de Janeiro, quando as sedes dos três Poderes foram depredadas em Brasília.
A destruição provocada pelos ataques foi estimada em R$ 24 milhões ao bolso dos brasileiros. Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A decisão mostra como o STF tem tratado casos do 8 de Janeiro também sob o prisma da saúde do custodiado, sem abrir mão de controle rigoroso.
Na prática, a domiciliar reduz pressão sobre o sistema prisional, mas mantém o peso da condenação e das restrições impostas.
Para o debate político, o caso reforça que as consequências dos atos golpistas continuam produzindo efeitos judiciais concretos.

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