MP questiona verba de vereadores em Rondonópolis e leva caso ao TJMT

O Ministério Público de Mato Grosso foi ao Tribunal de Justiça para contestar a verba indenizatória paga aos vereadores de Rondonópolis, no valor de R$ 12,975 por mês. A Procuradoria-Geral de Justiça quer derrubar o trecho da lei municipal que fixou o benefício em 75% do salário parlamentar.

A ação direta de inconstitucionalidade foi apresentada contra a Lei Municipal 14.605, sancionada em janeiro. O MP não questiona a existência da verba, usada para custear despesas do mandato, como deslocamentos, alimentação e hospedagem.

O ponto central é o tamanho do percentual adotado pela Câmara. Para o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, a regra é desproporcional e contraria o entendimento já adotado pelo próprio TJMT em casos semelhantes.

Segundo a linha defendida pelo Ministério Público, verbas indenizatórias acima de 60% da remuneração passam a comprometer a transparência e podem abrir espaço para um reajuste indireto de salário. No caso de Rondonópolis, o subsídio dos vereadores é de R$ 17,3 mil.

A Procuradoria afirma ainda que não há justificativa para uma despesa mensal próxima de R$ 13 mil em atividades inerentes ao cargo. Na avaliação do órgão, isso pode desviar a finalidade da verba e transformá-la em complemento remuneratório, em vez de ressarcimento de gasto.

No pedido, o MP solicita que o Tribunal declare inconstitucional a cobrança sempre que o valor superar o limite de 60% do subsídio. Ao mesmo tempo, pede que os vereadores não sejam obrigados a devolver o que já receberam, já que os pagamentos ocorreram com base em uma lei então vigente.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A disputa ultrapassa a questão jurídica e alcança a percepção pública sobre gasto político. Se o Judiciário limitar esse tipo de verba, a tendência é aumentar a pressão por regras mais rígidas e mais transparentes nas câmaras municipais. Para o contribuinte, o debate importa porque verbas muito altas podem operar como remuneração disfarçada e reduzir a confiança no uso do dinheiro público. Além disso, decisões assim costumam influenciar outras Casas Legislativas a rever seus próprios benefícios.

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