
Um projeto iniciado no Nordeste quer identificar quais atividades econômicas podem ganhar força na transição para uma economia de baixo carbono. A iniciativa Futuros Verdes no Nordeste reúne o Instituto Clima e Sociedade e o CESAR e está percorrendo os nove estados da região.
A proposta é ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para transformar dados sobre sustentabilidade em orientações estratégicas. O trabalho também busca considerar as diferenças entre os territórios nordestinos, que enfrentam problemas climáticos variados e têm vocações econômicas distintas.
Entre os focos do levantamento estão setores produtivos com potencial de expansão, competências já existentes e lacunas de formação profissional. A ideia é apontar quais qualificações serão necessárias diante de novas exigências ambientais e da mudança nos modelos de produção.
O tema ganha peso porque a região reúne riscos e oportunidades ao mesmo tempo. Segundo o IPCC, a caatinga está entre os biomas mais ameaçados pela desertificação no mundo. Além disso, dados citados no projeto mostram avanço de desmatamento em estados como Maranhão, Piauí e Bahia.
Há também pressão costeira: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador aparecem entre as cidades brasileiras mais ameaçadas pela elevação do nível do mar, segundo a Climate Central. Ao mesmo tempo, o Nordeste responde por 92% da energia eólica produzida no país, além de concentrar cinco das dez maiores usinas solares.
Para a indústria, o desafio não é só reconhecer o potencial, mas transformar capacidade natural em renda, emprego e produção. O mapeamento cita áreas como bioeconomia, biodiversidade da caatinga, biomassa, etanol, solar e eólica como frentes com espaço para crescer.
A avaliação dos participantes é que esse avanço depende de infraestrutura, regulação, cadeia de produção, mercado e mão de obra preparada. Sem isso, o risco é a região continuar fornecendo recursos sem capturar o valor econômico da transição verde.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A economia verde pode abrir espaço para emprego e renda no Nordeste, mas isso depende de investimento real em infraestrutura e qualificação. Sem transmissão de energia, logística e regulação adequada, o potencial em eólica, solar e bioeconomia não vira atividade produtiva de fato. Para o consumidor, isso importa porque novas cadeias podem influenciar preços, oferta de serviços e a competitividade regional. Também há um ponto de mercado: quem não se adaptar às exigências ambientais pode perder espaço dentro e fora do país.

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