
O início oficial da campanha de 2026 em Mato Grosso já expôs uma costura política desconfortável. Em Alta Floresta, Janaina Riva, José Medeiros e Virginia Mendes apareceram no mesmo evento religioso, mas sem sinal de alinhamento real entre eles.
A cena ocorreu neste domingo (16), durante a celebração de 21 anos da Igreja Batista Nacional Shalom, na Fazenda Shalom. O encontro reuniu nomes que vinham de embates recentes e que, por força de articulações partidárias, acabaram dividindo o mesmo espaço público.
No caso de Janaina Riva e José Medeiros, a proximidade foi apenas formal. Os dois candidatos ao Senado evitaram qualquer interação mais evidente, ficaram em pontos distintos e trocaram apenas um cumprimento discreto com a cabeça.
A presença conjunta foi resultado da aliança nacional costurada entre MDB e PL. A articulação passou pela direção do PL e teve como um dos operadores o candidato ao governo Wellington Fagundes, sogro de Janaina. Medeiros, ligado à ala bolsonarista no estado, resistiu à composição, mas a direção nacional manteve a coligação.
O clima foi diferente na relação entre Janaina e Virginia Mendes. A ex-primeira-dama de Mato Grosso, pré-candidata a deputada federal, subiu ao palco e recebeu a deputada com beijos e abraços, ao contrário do comportamento adotado por Medeiros.
A aproximação chama atenção porque as duas acumulam trocas públicas de críticas. Janaina já foi alvo de manifestações da família do governador Mauro Mendes, principalmente após endurecer o tom contra aliados do governo. Virginia também demonstrou incômodo com a mudança de postura da deputada, que por anos integrou a base governista.
Em entrevista recente a Ouviro, Virginia afirmou que Janaina “só sabe atacar” sua família e criticou o que chamou de mudança de lado em ano eleitoral. A ex-primeira-dama também lembrou que a deputada foi apoiadora do governo por seis anos antes de migrar para a oposição.
A disputa entre Janaina e o grupo de Mauro Mendes se intensificou em 2025, quando a deputada acusou o então chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, de travar o pagamento de emendas parlamentares. Garcia negou bloqueio, afirmou que a liberação era obrigação legal e disse que a parlamentar espalhava informação falsa.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A imagem de rivais dividindo palanque mostra como 2026 já começa sob forte pressão de alianças nacionais que nem sempre conversam com as disputas locais. Para o eleitor, isso tende a aumentar a percepção de incoerência e reduzir a confiança em acordos costurados apenas por conveniência eleitoral. Em Mato Grosso, o episódio também indica que a disputa pelo Senado deve ser marcada por convivência forçada entre grupos que seguem em rota de colisão.

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