Gisela vê machismo em crise da família Bolsonaro e Paula cobra acerto fora das redes

O vídeo em que Michelle Bolsonaro relata atrito com Flávio Bolsonaro provocou reação discreta entre políticos mato-grossenses, mas abriu um novo flanco de desgaste para a direita. Enquanto Gisela Simona saiu em defesa da ex-primeira-dama, Paula Calil criticou a decisão de levar o impasse para as redes sociais.

Gisela, deputada federal suplente e integrante do União Brasil, classificou a fala de Michelle como um exemplo de violência política de gênero. Para ela, mulheres ainda são tratadas como coadjuvantes em ambientes partidários, mesmo quando acumulam influência e capital político.

A parlamentar também rejeitou críticas ao momento da denúncia, feita às vésperas da eleição. Segundo ela, a ex-primeira-dama tinha direito de expor o episódio e não deveria ser deslegitimada por ter relatado a cobrança pública agora.

Na avaliação de Gisela, o trabalho de Michelle à frente do PL Mulher precisa ser reconhecido como ativo político. Ela afirmou que, se a situação envolvesse um homem, o questionamento sobre autoridade e protagonismo teria sido diferente dentro do próprio campo bolsonarista.

A deputada ainda disse acreditar em uma recomposição interna na família Bolsonaro para reduzir os danos eleitorais. Gisela citou como positivo o pedido de desculpas feito por Flávio e avaliou que a trégua seria importante para conter a divisão na direita.

Do outro lado, Paula Calil, presidente da Câmara de Vereadores, fez leitura oposta. A vereadora classificou o episódio como lamentável e defendeu que a divergência fosse resolvida no âmbito familiar, sem exposição pública a menos de 100 dias da eleição.

A discussão também chegou ao tabuleiro eleitoral de Mato Grosso. Gisela confirmou que não houve conversa formal com o governador Otaviano Pivetta, que deseja ter uma mulher na vice, mas disse torcer por mais espaço feminino. Ela afirmou, porém, que o União Brasil ainda precisa resolver sua própria candidatura ao governo antes de discutir alianças.


Comentário do Bastidor:

O episódio mostra como conflitos internos podem virar custo eleitoral quando expostos em público. Para a direita, a disputa amplia ruído num momento em que unidade seria um ativo importante para mobilizar voto. Também revela que a participação feminina segue sendo tratada, em muitos casos, como disputa de espaço e não como reconhecimento de liderança. Em ano eleitoral, esse tipo de desgaste tende a afetar discurso, imagem e capacidade de construção de alianças.

RODAPE:
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.

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