
A médica Natasha Slhessarenko teve a candidatura ao Governo de Mato Grosso homologada nesta quinta-feira (30), em convenção partidária realizada em Cuiabá. A chapa da coligação Mato Grosso para todos também confirmou o advogado e professor universitário Diogo Botelho como vice-governador.
O grupo reúne oito legendas: PT, PSD, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e REDE Sustentabilidade. No discurso, Natasha tentou consolidar a imagem de candidatura construída coletivamente e voltada ao que chama de atenção direta às pessoas, em contraste com a concentração de riqueza no Estado.
Ela afirmou que sua entrada na disputa não nasce de projeto pessoal, mas de uma expectativa compartilhada por parte do eleitorado. Ao mencionar sua trajetória familiar, citou a mãe, Serys Slhessarenko, primeira mulher eleita senadora por Mato Grosso, e o pai, Leonardo Slhessarenko, como referências na formação política e no tema da justiça social.
Natasha também usou a experiência de mais de duas décadas no SUS para justificar a candidatura. Segundo ela, o trabalho como médica a colocou diante de casos que expõem a dificuldade de acesso à saúde pública e reforçaram a ideia de que decisões de governo podem alterar a realidade de um Estado inteiro.
Ao defender sua proposta, a candidata apontou problemas que, na avaliação dela, persistem em Mato Grosso, como filas na saúde, violência contra mulheres, pobreza, fechamento de escolas e desvalorização de servidores. O recado busca dialogar com demandas que afetam diretamente a rotina de famílias, profissionais da rede pública e estudantes.
A candidata, apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado, também destacou programas e investimentos do governo federal como exemplos de ampliação de acesso a políticas públicas. Ela disse que seu plano é levar ao Estado uma gestão que una desenvolvimento social, atendimento mais rápido na saúde, proteção às mulheres e mais oportunidades na educação.
Natasha encerrou a convenção prometendo visitar os 142 municípios de Mato Grosso para apresentar propostas e ampliar sua base de apoio. Na prática, a campanha passa a testar se o discurso de inclusão social conseguirá ganhar espaço em um Estado marcado pelo peso do agronegócio e pela cobrança por serviços públicos mais eficientes.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A candidatura entra no debate estadual tentando transformar insatisfação com serviços públicos em capital político, especialmente na saúde e na educação. Se essa pauta ganhar tração, a eleição pode pressionar os concorrentes a detalhar propostas concretas para reduzir filas, melhorar a rede escolar e valorizar servidores. Para o eleitor, o ponto central será medir se o discurso social consegue sair do plano genérico e virar compromisso com orçamento e execução. Em um Estado rico, a cobrança tende a recair justamente sobre a entrega de serviços que ainda não acompanham a capacidade econômica de Mato Grosso.

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