Alckmin rejeita mexer no Pix e diz que tarifa dos EUA ameaça empresas e empregos

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro vai tentar barrar a proposta dos Estados Unidos de impor tarifa de 25% sobre produtos do Brasil. Ele classificou a medida como injusta e sem base, em meio à ofensiva comercial do governo Donald Trump.

Alckmin também fechou a porta para qualquer discussão sobre o Pix nas negociações. Segundo ele, o sistema criado pelo Banco Central em 2020 é uma ferramenta benéfica, sem custo para empresas e consumidores, e não faz sentido entrar na pauta bilateral.

A fala veio em Brasília, num momento em que o Planalto tenta usar canais técnicos e diplomáticos para evitar que a recomendação do USTR seja formalizada. O prazo citado pelo vice-presidente para buscar uma saída é 15 de julho, o que mantém o setor produtivo em alerta.

Na avaliação de Alckmin, uma escalada tarifária tende a atingir emprego, renda e atividade econômica no Brasil. Para exportadores, o risco é de perda de competitividade; para trabalhadores, o impacto pode aparecer em menos encomendas e maior pressão sobre postos de trabalho.

O vice-presidente contestou ainda a leitura de Washington sobre a relação comercial entre os dois países. Ele disse que, somando produtos e serviços, os Estados Unidos tiveram superávit de US$ 40 bilhões no ano passado com o Brasil.

Alckmin também destacou que a tarifa média brasileira sobre importações americanas é de 3,1% e lembrou que oito dos dez principais produtos exportados pelos EUA ao mercado brasileiro entram com alíquota zero. Em contraste, criticou o protecionismo norte-americano no setor de açúcar.

No campo ambiental, ele rebateu a justificativa americana ligada ao desmatamento ilegal e citou avanços recentes do Brasil na redução do problema. Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A disputa comercial, se avançar, pode encarecer produtos, reduzir margem das empresas exportadoras e atingir cadeias ligadas a frete, indústria e serviços. Como o Brasil vende para os Estados Unidos e também compra de lá, uma tarifa maior tende a bagunçar preços e contratos, afetando investimento e planejamento. A defesa do Pix mostra que a negociação não é só sobre comércio, mas também sobre soberania regulatória. Se houver piora no ambiente externo, o custo pode aparecer no emprego e na renda antes mesmo de qualquer efeito visível no consumidor.

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