A deputada estadual Janaina Riva (MDB) voltou a cobrar investigação sobre os empréstimos consignados que atingiram servidores públicos em Mato Grosso. Para ela, a apuração aberta pelo Superior Tribunal de Justiça sobre o credenciamento do Banco Master reforça a necessidade de examinar não só os contratos, mas também a autorização dada às instituições para operar no Estado.
A parlamentar afirma que o caso envolve milhares de servidores, aposentados e pensionistas e que a resposta precisa alcançar empresas e agentes públicos. Segundo Janaina, a discussão não deve ficar restrita aos descontos considerados irregulares, mas avançar sobre a forma como essas operações foram liberadas e mantidas.
Desde o início das denúncias, a deputada tem pedido transparência, suspensão das cobranças suspeitas e responsabilização dos envolvidos. Ela diz que há contratos sem clareza, dificuldade de acesso à documentação e situações em que a dívida registrada seria maior do que o valor efetivamente entregue ao servidor.
Janaina também defende que eventuais renegociações separem o que é válido do que é suspeito. Na avaliação dela, contratos regulares podem ser revistos, mas operações ilegais precisam ser anuladas, com devolução dos valores descontados de forma indevida.
Entre os exemplos citados pela parlamentar, há o de um servidor que teria recebido R$ 10 mil, enquanto o contrato registrava R$ 20 mil. A deputada sustenta que esse tipo de operação exige apuração completa, porque o trabalhador acaba pagando juros sobre dinheiro que não entrou na conta.
Em maio de 2025, Janaina pediu a mediação do Tribunal de Contas do Estado para reunir a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, sindicatos e representantes dos servidores. Naquele momento, as denúncias indicavam que cerca de 12 mil pessoas poderiam ter sido afetadas apenas por operações ligadas à Capital Consig.
Levantamento apresentado por representantes dos servidores apontou ainda que, em 69 contratos analisados, cerca de R$ 400 mil teriam sido depositados, enquanto o total cobrado como dívida chegava a aproximadamente R$ 3,3 milhões. Diante dos indícios, a deputada voltou a defender CPI na Assembleia Legislativa e a participação da Polícia Federal no caso.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A pressão por apuração em consignados afeta diretamente a renda de servidores e aposentados, que podem estar pagando parcelas sobre valores distorcidos. Se houver irregularidades confirmadas, o impacto vai além do desconto em folha: atinge confiança no crédito, consumo e planejamento financeiro das famílias. Casos assim também elevam a necessidade de fiscalização mais dura, porque erros ou fraudes nesse mercado costumam se espalhar rapidamente e comprometer o orçamento por muito tempo.

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