A Assembleia Legislativa de Mato Grosso terá representação oficial na beatificação do padre Nazareno Lanciotti, marcada para este sábado (13), em Jauru, a 408 km de Cuiabá. O deputado Júlio Campos vai acompanhar a cerimônia, ao lado de Valmir Moretto, que integra a comissão provisória criada para representar a Casa.
O ato está previsto para começar às 10h, na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, e será presidido pelo cardeal brasileiro dom João Braz de Aviz, em nome do papa Leão XIV. Segundo o Vaticano, a morte do religioso foi reconhecida como martírio por ódio à fé, o que abriu caminho para a beatificação.
A cerimônia marca um momento incomum para Mato Grosso, que passa a sediar o primeiro processo de beatificação do Estado. Na prática, o reconhecimento coloca o padre em uma etapa anterior à canonização, quando a Igreja avalia sinais de santidade por meio de milagre ou martírio.
Durante a celebração, o túmulo do sacerdote será elevado e relíquias ligadas à sua trajetória devem ser expostas aos fiéis, incluindo fragmentos de ossos e vestes com o sangue do atentado. As homenagens também estão previstas para Subiaco, na Itália, cidade natal de Nazareno.
Nascido em Roma, em 3 de março de 1940, Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil em 1971 e viveu por 30 anos em Jauru. Ordenado em 1966, ele atuou junto aos mais pobres, criou uma instituição beneficente para atendimento médico e desenvolveu ações voltadas a trabalhadores, famílias e ao combate ao tráfico de drogas e à prostituição.
O padre foi atacado em casa na noite de 11 de fevereiro de 2001, quando dois homens encapuzados invadiram o imóvel. Ele foi atingido por um disparo na nuca, na altura da quarta vértebra, e morreu em 22 de fevereiro, aos 61 anos.
Mesmo ferido, perdoou os autores do crime, segundo a narrativa divulgada pela Igreja. Para o público local, a beatificação reforça a dimensão histórica do caso e tende a manter Jauru no centro das atenções religiosas neste fim de semana.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A participação da Assembleia na cerimônia dá ao caso uma leitura institucional que vai além do simbolismo religioso. Em municípios do interior, eventos dessa dimensão movimentam a economia local e atraem visitantes, o que impacta hospedagem, alimentação e serviços. Ao mesmo tempo, a valorização pública de uma trajetória marcada por violência reforça a memória social e coloca Jauru em evidência fora do calendário político tradicional.

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