A Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso intensificou a cobrança sobre o ataque cibernético que atingiu a Secretaria de Estado de Saúde. Três meses após a invasão, o presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), pediu explicações ao governo do estado e à MTI.
No requerimento, o parlamentar quer acesso às informações sobre como ocorreu o ataque, quais sistemas foram atingidos e quais medidas foram adotadas para conter os danos. A comissão também quer saber como ficou a recuperação dos dados e o que foi perdido no episódio.
Wilson Santos afirmou que a gravidade do caso exige transparência total dos órgãos envolvidos. Ele disse ainda que a CPI busca entender o funcionamento de crimes ligados à pasta, que movimentou quase R$ 30 bilhões nos últimos sete anos.
O deputado relacionou a invasão ao avanço das investigações da comissão sobre a gestão da saúde estadual. Segundo ele, o fato de a ocorrência ter sido revelada apenas agora levanta dúvidas e reforça a necessidade de uma perícia técnica federal.
A intenção é apurar as circunstâncias da invasão e medir o tamanho do prejuízo ao acervo documental e aos bancos de dados da secretaria. Para o parlamentar, a destruição de arquivos logo após a instalação da CPI é um ponto que precisa ser esclarecido.
Wilson Santos também voltou a criticar o modelo de contratação usado pela SES. Ele lembrou o TAC firmado em maio de 2019 com o Ministério Público Estadual para reduzir pagamentos por indenização, mas disse que a prática continuou recorrente.
Nesta quarta-feira (3), às 14h, a CPI da Saúde recebe os delegados José Ricardo Garcia Bruno e Henrique Trevisan, da Deccor. Eles conduziram a Operação Espelho, deflagrada em 2021 para investigar supostas irregularidades em contratos e pagamentos da Secretaria de Estado de Saúde.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
O caso amplia a pressão sobre a gestão da saúde e coloca a segurança digital do Estado no centro do debate público. Quando dados e sistemas de uma secretaria desse porte ficam comprometidos, o risco vai além da disputa política: afeta controle de gastos, rastreabilidade de contratos e a própria fiscalização do dinheiro público. Se a apuração avançar, a discussão pode expor fragilidades administrativas que também impactam a eficiência do serviço prestado à população.

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