A Câmara Municipal de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, deve votar a revogação do auxílio-alimentação de R$ 1.700 para vereadores. A iniciativa ganhou força depois de forte reação da população, que criticou a criação do benefício já aprovado pelo Legislativo e sancionado pela prefeita Eliane Liberato (Podemos).
O projeto foi aprovado em 26 de maio e sancionado no dia seguinte, mas a repercussão negativa mudou o cenário na Casa. Agora, a Mesa Diretora tenta reverter a decisão e sinalizar uma resposta às cobranças feitas fora do plenário.
A proposta de cancelamento será levada à sessão ordinária da próxima segunda-feira (08). Se passar, o texto ainda seguirá os trâmites regimentais até a efetiva revogação da lei.
Votaram contra o auxílio os vereadores Pastorello (PT), Jerônimo Gonçalves (PL), Isaías Bezerra (Republicanos), Elis Enfermeira (PL) e Valdeníria (Podemos). Eles também informaram que não vão abrir mão do benefício, numa posição que ampliou o desgaste político em torno do tema.
A pressão sobre o Legislativo aumentou porque, dias depois da sanção do auxílio-alimentação, a Mesa Diretora apresentou outro projeto, desta vez para criar auxílio-saúde de R$ 3 mil mensais aos parlamentares. A sequência de medidas reforçou a percepção de privilégio e alimentou a crítica pública.
Flávio Negação (MDB), presidente da Câmara, afirmou que o momento não é de discutir legalidade ou materialidade da lei, mas de ouvir a sociedade. Segundo ele, a Casa quer demonstrar sensibilidade às demandas populares com diálogo e transparência.
Na prática, a eventual revogação representa um recuo político da Câmara diante do custo de imagem provocado pelo benefício. Para o cidadão, o episódio expõe a distância entre a agenda interna do Legislativo e a cobrança por contenção de gastos com dinheiro público.
RODAPE:
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
O recuo da Câmara mostra como benefícios para parlamentares viraram um custo político alto em um momento de forte sensibilidade com o uso do dinheiro público. Mesmo sem impacto direto nas contas das famílias, esse tipo de medida afeta a confiança do cidadão na gestão local e amplia a cobrança por austeridade. Quando a discussão envolve auxílios para vereadores, o debate deixa de ser apenas administrativo e passa a influenciar a percepção sobre prioridade de gastos. Em cidades menores, esse desgaste pesa ainda mais porque a população acompanha de perto cada decisão.

Faça um comentário