O Ministério Público de Mato Grosso abriu inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na implantação e pavimentação de um trecho do anel viário de Vila Rica. A obra, contratada por mais de R$ 3 milhões, entrou no radar do órgão após denúncias sobre problemas na execução, na qualidade do asfalto e nas medições pagas à empreiteira.
A apuração ganhou força porque a via, inaugurada em dezembro de 2024, já apresentava ao fim de 2025 sinais de desgaste fora do esperado. Técnicos identificaram afundamentos, buracos e falhas no sistema de drenagem, o que levanta dúvidas sobre a durabilidade do serviço entregue à população.
Outro ponto destacado pelo MP-MT é a ausência de responsável técnico pela fiscalização e pelo controle tecnológico da obra. Na prática, isso significa que não houve acompanhamento claro da qualidade dos materiais e da execução, fator que pode explicar parte dos problemas constatados no trecho pavimentado.
A Prefeitura de Vila Rica também terá de esclarecer informações consideradas contraditórias sobre quem efetivamente respondeu pela aprovação do projeto. Para o cidadão, esse tipo de inconsistência é relevante porque afeta a transparência do gasto público e pode indicar falhas na cadeia de responsabilidade da obra.
O MP-MT determinou que o município envie, em até 15 dias, a cópia integral da licitação, as notas empenhadas, os relatórios de medição e os termos aditivos do contrato. A empresa responsável pela pavimentação e os servidores que assinaram o recebimento da obra também devem prestar esclarecimentos.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso foi acionado para informar pagamentos e registros de responsabilidade técnica dos profissionais envolvidos. Entre os citados na investigação estão o ex-prefeito Abmael Borges da Silveira e os engenheiros Eduardo da Costa Shimba Junior, Kaio Cesar Dias Bueno, Rafael dos Santos Cordeiro e o prestador de serviços Raudiego da Silva Santos Figueiredo.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A apuração chama atenção porque obras viárias com defeitos precoces costumam sair caro duas vezes: primeiro na execução e depois na recuperação. Quando falha a fiscalização técnica, o risco é de desperdício de recursos públicos e de serviço abaixo do esperado para quem depende da via. Para a população, isso se traduz em mais transtorno, menos segurança no trânsito e pressão sobre novos gastos do município.

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