O superávit da balança comercial brasileira somou US$ 7,823 bilhões em maio, alta de 10,8% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado foi influenciado principalmente pelo avanço nas exportações de soja e minério de cobre, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O desempenho foi o quarto melhor já registrado para maio desde o início da série histórica, em 1989. Exportações e importações também alcançaram o segundo maior valor para o mês, o que mostra um comércio exterior aquecido, mesmo com movimentos diferentes entre setores.
No acumulado de janeiro a maio, o saldo positivo chegou a US$ 32,662 bilhões, crescimento de 34,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o governo, além da recuperação das commodities, ajudou o fato de não ter se repetido neste ano a importação de uma plataforma de petróleo feita em fevereiro de 2025.
Entre os destaques do mês, a soja respondeu por US$ 804,1 milhões a mais em exportações na comparação anual. O ganho veio da combinação entre safra e preços mais altos. O minério de cobre também teve peso relevante, com aumento de US$ 617,9 milhões nas vendas externas.
Na outra ponta, o petróleo bruto perdeu fôlego. As exportações caíram US$ 390,8 milhões, com recuo de 42,1% no volume, apesar da alta de 56,7% no preço médio. O governo relaciona parte desse movimento à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação, criada em março para conter a pressão sobre os combustíveis.
O café teve queda forte em maio. As vendas externas do produto encolheram US$ 297,6 milhões, baixa de 24,5% ante 2025, pressionadas por menor volume embarcado e recuo no preço médio. Nas importações, a principal alta veio dos veículos, cujas compras no exterior avançaram US$ 833,5 milhões.
Para 2026, o Mdic projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, com exportações estimadas em US$ 364,2 bilhões e importações em US$ 280,2 bilhões. As novas projeções detalhadas devem ser divulgadas em julho. O recorde da série continua sendo 2023, quando o saldo positivo chegou a US$ 98,9 bilhões.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
O dado reforça a importância das commodities para o saldo externo, mas também expõe a dependência do país de poucos produtos para sustentar o resultado. Quando soja e minério avançam, o efeito tende a melhorar a entrada de dólares e aliviar parte das pressões cambiais. Isso pode ajudar a segurar custos de itens importados, mas a oscilação do petróleo e do café mostra que o comércio exterior ainda é vulnerável a preços internacionais e a medidas tributárias pontuais. Para famílias e empresas, o cenário importa porque afeta câmbio, combustível, frete e, em cadeia, o custo de vida.

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