A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), voltou a usar a baixa arrecadação do IPTU como principal argumento para explicar a dificuldade de tocar obras e manter serviços básicos na cidade. Em coletiva na quinta-feira (28), ela afirmou que o município não consegue avançar em asfalto, recapeamento e tapa-buracos sem dinheiro em caixa.
Segundo Moretti, a inadimplência atinge a rotina da prefeitura. Ela citou média de 26% de adimplência e disse que, no bairro Eliane Gomes, dos R$ 160 mil estimados para 2026, apenas R$ 600 entraram nos cofres municipais.
A prefeita também disse que aguarda recursos que, segundo ela, ainda não chegaram do governo do Estado. Na avaliação dela, as promessas de milhões para infraestrutura não se converteram em repasses efetivos ao município.
No campo financeiro, Moretti informou que tentou viabilizar verbas por meio do Finisa, linha de financiamento da Caixa Econômica Federal, mas o pedido passou por resistência na Câmara Municipal. Agora, ela afirma que a liberação depende de agenda com a superintendência da instituição.
A gestora disse que o projeto prevê R$ 90 milhões, com R$ 60 milhões neste momento e R$ 30 milhões no próximo ano. Enquanto isso, afirmou que precisa administrar a receita entre folha de pagamento, insumos da saúde e manutenção da malha viária.
Moretti também criticou a gestão anterior, alegando que eram contratados mais de R$ 150 milhões por ano via Finisa. Ao responder ao presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), que disse que ela teria perdido o prazo do financiamento, a prefeita negou a versão e afirmou que a lei não foi aprovada.
Segundo ela, o texto foi retirado de pauta e recebeu pedido de vista, o que impediu a votação. Para os moradores, o impasse prolonga a pressão sobre serviços essenciais e mantém a cidade dependente de novas receitas para resolver problemas visíveis nas ruas.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A fala da prefeita expõe um ponto central da gestão municipal: sem arrecadação estável, a prefeitura perde capacidade de investir e acaba empurrando problemas como buracos e manutenção urbana. Quando o IPTU entra abaixo do esperado, a pressão recai sobre caixa, saúde e obras, o que costuma resultar em serviços mais lentos e imprevisíveis. O impasse sobre o Finisa também mostra que disputa política e finanças públicas se misturam, com impacto direto na qualidade de vida. Para o cidadão, isso significa mais demora para ver melhorias e maior dependência de novos financiamentos.

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