A sessão ordinária da Câmara de Cuiabá desta terça-feira (2) terminou mais cedo, às 9h25, por falta de quórum. Com isso, ficaram sem análise os pareceres jurídicos das propostas de CPI sobre a Educação, apresentadas pelos vereadores Demilson Nogueira (PP) e Maysa Leão (Republicanos).
Os dois pedidos miram a apuração de um suposto rombo de R$ 80 milhões na Secretaria Municipal de Educação. As solicitações já têm assinaturas suficientes, mas a disputa passou a incluir a ordem de protocolo e o momento em que cada uma atingiu o mínimo exigido pelo regimento.
Nos registros da Câmara, o pedido de Demilson foi protocolado às 11h42min48s, enquanto o de Maysa entrou às 11h46min36s. Já no critério que conta a chegada às nove assinaturas, a vereadora teria alcançado a marca às 11h34min11s, pouco antes do colega.
A diferença alimenta a disputa sobre quem terá o comando da CPI. Na semana passada, um áudio atribuído a Maysa mencionou uma articulação da base para entregar a presidência ao vice-líder do prefeito Abilio Brunini (PL), cargo ocupado por Demilson.
Na prática, a ausência de quórum atrasou a definição de um tema que pode ampliar a pressão sobre a gestão municipal e sobre o uso do dinheiro da Educação. Na mesma sessão, também estava na pauta a convocação do secretário Reginaldo Teixeira para tratar de contratos de material didático da rede.
Reginaldo substituiu Amauri Monge, que deixou a pasta em 2 de abril deste ano. A troca de comando não encerrou o desgaste político: na semana passada, a Câmara ouviu denúncias de “pedaladas fiscais” acima de R$ 100 milhões e de despesas que teriam sido empurradas para este ano.
O caso já está sob acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público de Mato Grosso. Enquanto a apuração avança, a Câmara segue como palco da disputa política e da cobrança por explicações sobre contratos, restos a pagar e o impacto direto disso no funcionamento da rede municipal de ensino.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A disputa em torno da CPI mostra que a crise na Educação de Cuiabá já saiu do campo administrativo e virou ativo político. Quando uma investigação passa a definir comando, prazo e narrativa, a chance de paralisação institucional aumenta. Para o cidadão, o risco imediato é ver a apuração andar devagar justamente onde há suspeita de desorganização fiscal e contratos sensíveis. Isso tende a ampliar a insegurança sobre serviços, fornecedores e o uso do dinheiro público.

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