Ciclovias no centro: Cuiabá precisa escolher seu caminho


NOTA EDITORIAL

Este é um artigo de análise e opinião. Ele não relata um fato noticioso específico, mas reflete sobre um tema relevante para Cuiabá. A intenção é provocar debate, não informar um acontecimento.

Toda cidade guarda um segredo: quer mudança, mas não quer que nada mude em sua rotina. Cuiabá não é exceção. Basta mencionar ciclovias nas avenidas centrais para ver essa contradição em ação.
Quem pedala vê segurança. Comerciantes veem ameaça. Motoristas temem trânsito. Cada lado tem razão, mas a razão vira intransigência. O problema é que Cuiabá cresceu sem planejar como as pessoas circulam. Avenidas viram corredores de carros. Calçadas, quando chove, viram piscinas. Andar a pé é suplício no calor.
Surge proposta de mudança, vem o pânico: “Vai piorar o trânsito.” “Lojistas quebram.” “Ninguém vai para o centro.” São medos legítimos, mas fundamentados em quê? Dados reais ou apenas resistência ao novo?
Bogotá e Copenhagen implementaram ciclovias em áreas comerciais. O resultado? Aumentou movimento, não diminuiu. Mais gente circulando significa mais café vendido, mais almoços. Mas isso não garante resultado idêntico em Cuiabá. Cada cidade é diferente.
O que falta é conversa séria. Não aquela de reunião política, onde todos chegam com resposta pronta. Falo de diálogo honesto: comerciante com ciclista, gestor público ouvindo mais que falando, números reais em vez de suposições.
Quanto custa? Qual impacto se feito em fases? Quais avenidas primeiro? Como proteger quem trabalha no comércio? Essas perguntas precisam respostas rigorosas, não achismos.
Talvez a solução não seja “sim” ou “não”. Talvez seja “onde, como, quando e de que forma”. Essa resposta sai de conversa honesta, sem modismo ou conservadorismo.
Cuiabá é jovem. Pode aprender com erros de cidades maiores. Mas só aprende se ouvir, pensar e, eventualmente, arriscar. Porque modernização sem risco não existe. A questão é: vale a pena?

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