Primeira iniciativa do Legislativo estadual voltada especificamente à causa. Visita marca virada de página na relação entre Assembleia e Hospital de Câncer.
Há gestos políticos que nascem para fotografia. Outros nascem para permanecer. Nesta semana, o deputado estadual Eduardo Botelho atravessou os corredores do Hospital de Câncer de Mato Grosso carregando algo raro na vida pública: disposição para ouvir dores silenciosas.
São cerca de 210 mulheres que venceram o câncer de mama, enfrentaram a mastectomia, mas seguem esperando pela reconstrução mamária no SUS. Esperam há meses. Algumas, há anos. Não é sobre estética. É sobre identidade. Sobre olhar para o espelho depois da batalha e ainda reconhecer a própria dignidade.
Botelho não fez visita de calendário. Sentou, ouviu médicos, analisou números, conversou com pacientes. Da conversa surgiu uma proposta concreta para ampliar cirurgias e estruturar um projeto voltado especificamente à reconstrução mamária. Pela primeira vez, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso se movimenta de forma direta em torno dessa demanda.
O diretor financeiro do Hospital de Câncer, Dr. Lucas Bertolin, reconheceu a importância da parceria e do apoio institucional ao hospital, referência oncológica no estado desde 1999.
Também entrou na pauta a ampliação das salas cirúrgicas. Porque esperança sem estrutura vira fila. E fila, para quem já enfrentou um câncer, pesa como eternidade.
Na política, muitos aparecem para serem vistos. Poucos aparecem para enxergar. Botelho escolheu o segundo caminho. E talvez seja justamente isso que explique por que algumas iniciativas atravessam o noticiário e outras atravessam vidas. Afinal, existem cicatrizes que a medicina fecha. Outras dependem de humanidade.

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