Disputa por 2026 expõe rachas em União, PL e campo progressista em Mato Grosso

A movimentação para as eleições de 2026 em Mato Grosso já nasce sob desgaste interno nos principais grupos políticos do Estado. As disputas envolvem nomes de peso, travam alianças e podem enfraquecer projetos para o governo e para o Senado.

No União Brasil, o embate opõe o ex-governador Mauro Mendes aos irmãos Campos. Jayme Campos quer disputar o governo pelo partido, mas esbarra na resistência de Mendes, que comanda a sigla no Estado e prefere apoiar a reeleição de Otaviano Pivetta, do Republicanos.

Mendes ainda tentou uma saída intermediária ao sugerir que Jayme e ele concorressem a vagas no Congresso Nacional. A proposta foi recusada pelo senador, que segue pressionando por espaço próprio dentro da legenda.

A crise se aprofundou com as críticas públicas de Jayme e do deputado estadual Julio Campos à condução partidária de Mendes. Os dois avaliam que a estratégia de espalhar aliados por outras siglas, em vez de fortalecer candidatura própria ao governo, reduz a força política do União Brasil em Mato Grosso.

Pivetta também virou ponto de atrito dentro do PL. Embora o partido tenha anunciado Wellington Fagundes como pré-candidato ao governo, prefeitos e dirigentes municipais demonstram preferência por manter sintonia com o atual governador.

Entre eles estão Abilio Brunini, de Cuiabá, Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis. A avaliação desse grupo é que a relação institucional construída com Pivetta pesa mais do que a orientação já oficializada pela legenda.

No campo progressista, a articulação para o Senado também encontra resistência. A possível união entre Carlos Fávaro, do PSD, e Pedro Taques, do PSB, enfrenta rejeição de uma ala do PT, que resiste à composição por causa do histórico de conflito de Taques com servidores públicos.

Mesmo com esse desconforto, a tendência é de manutenção do acordo nacional da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O entendimento prevê espaço para o PSB em chapas majoritárias em diferentes estados.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A fragmentação antecipada dos grupos políticos em Mato Grosso tende a dificultar a formação de palanques competitivos e coerentes em 2026. Quando lideranças estaduais e municipais seguem em direções diferentes, a consequência prática é menos previsibilidade para o eleitor e mais custo político para os partidos. Esse tipo de divisão também pode enfraquecer campanhas ao governo e ao Senado, onde alianças sólidas costumam ser decisivas. Para o cidadão, o efeito mais imediato é ver a disputa eleitoral começar mais em torno de conflitos internos do que de propostas.

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