A Polícia Federal investiga se um suposto esquema de venda de decisões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso usou intermediários e operações patrimoniais para disfarçar dinheiro de origem criminosa. A apuração ganhou força na Operação Gemini, deflagrada nesta segunda-feira, com ações contra o desembargador afastado Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro.
Segundo a PF, Dirceu dos Santos seria o destino final das vantagens indevidas. Bruno Oliveira Castro é apontado como o elo entre quem buscava as decisões e o magistrado, enquanto Faissal Calil é investigado por participação em operações financeiras e negociações de patrimônio.
Os investigadores apuram se os repasses ocorreram por meio do pagamento de dívidas familiares, transações imobiliárias e outras movimentações feitas por pessoas próximas ao desembargador. Também há análise sobre transferências realizadas por empresas ligadas ao agronegócio que tinham processos em andamento no TJMT.
A polícia afirma que ainda não encontrou justificativa comercial para parte dessas transferências. A perícia bancária também identificou mais de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques em espécie considerados suspeitos. Para os investigadores, o volume reforça a tentativa de esconder a origem e o destino dos valores.
Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Na operação, os agentes apreenderam relógios Rolex, armas de fogo e canetas de alto valor, itens que agora integram o material analisado pela PF.
Dirceu dos Santos já estava afastado do cargo por decisão do CNJ. Em março, a Corregedoria Nacional apontou indícios de que ele teria proferido decisões mediante possível recebimento de vantagens indevidas com ajuda de terceiros.
O CNJ também identificou movimentação patrimonial de cerca de R$ 14,6 milhões em cinco anos, valor considerado incompatível com a renda declarada. Só em 2023, a diferença entre patrimônio e salário formal teria ultrapassado R$ 1,9 milhão. As defesas dos citados não se manifestaram até a publicação.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
O caso tem peso político porque atinge o Judiciário e um parlamentar ao mesmo tempo, o que amplia a desconfiança sobre redes de influência em Mato Grosso.
Quando a suspeita envolve decisões judiciais, o efeito prático é a corrosão da confiança de empresas e cidadãos na segurança jurídica.
Isso também pressiona o ambiente de negócios, especialmente em setores como o agronegócio, que dependem de previsibilidade para operar e investir.
Se as apurações avançarem, o impacto institucional pode ser alto, com reflexos diretos na credibilidade das instituições locais.

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