Edna Sampaio acusa PT de racismo após decisão sobre vaga ao Senado em Mato Grosso

A ex-vereadora Edna Sampaio elevou a tensão dentro do PT em Mato Grosso ao acusar a legenda de racismo após a decisão de não lançar seu nome ao Senado. Segundo ela, o partido optou por apoiar o ex-governador Pedro Taques (PSB) na segunda vaga da disputa, ao lado do senador Carlos Fávaro (PSD), já alinhado ao campo do presidente Lula.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (2), Edna afirmou que a condução do caso expõe a dificuldade de mulheres negras alcançarem posições de poder no estado. Ela também disse que a presidente estadual do PT, Rosa Neide, transferiu a decisão para a direção nacional para evitar confronto interno.

A petista sustentou que a escolha foi tomada sem discussão prévia em Mato Grosso. Na avaliação dela, a direção estadual abriu mão do debate político sobre quem melhor representaria o campo progressista na eleição.

Edna foi além e disse que Pedro Taques não traduz a esquerda nem o projeto defendido por seu grupo político. Ainda assim, afirmou respeitar a decisão da maioria da sigla, mesmo discordando da composição construída para a disputa ao Senado.

A manifestação ocorre dias depois de outra crise interna. Em nota pública, Edna relatou ter sido constrangida por correligionários durante reunião da executiva do PT na quinta-feira (28), quando foi retomado o episódio em que ela respondeu a investigação por suposta rachadinha na Câmara de Cuiabá.

Na ocasião, Edna foi investigada e cassada em 2023 por quebra de decoro parlamentar, sob a acusação de ter se apropriado de R$ 20 mil da verba indenizatória da ex-chefe de gabinete Laura Natasha Abreu. A servidora, negra e grávida à época, foi demitida antes de o caso vir a público. Edna nega ter participado de qualquer esquema.

A ex-parlamentar classificou a repetição dessas acusações dentro do partido como violência contra sua imagem e desafiou os colegas Nelson Borges, Edilson Sphentof e Denilson D’arc para um debate público, com transmissão ao vivo.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

O episódio expõe um custo político imediato para o PT em Mato Grosso: a disputa interna deixou de ser apenas sobre candidatura e passou a atingir a imagem de unidade da legenda. Quando um partido não organiza seu processo decisório localmente, abre espaço para desgaste público e para a percepção de exclusão de grupos que reivindicam representatividade. Isso também pode afetar a mobilização eleitoral, porque conflitos desse tipo tendem a desanimar militantes e embaralhar o discurso para o eleitor.

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