A Operação Gemini, da Polícia Federal, avançou sobre um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e colocou o empresário Luciano Cândido Amaral no centro da investigação. Ele é apontado como operador financeiro ligado ao desembargador Dirceu dos Santos, em apuração que também alcança o deputado estadual Faissal Calil.
Segundo a decisão citada pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça, o empresário teria pago despesas do magistrado, incluindo boletos bancários. A PF afirma que Luciano aparecia no celular do advogado Roberto Zampieri como “Irmão Gêmeo”, identificação que reforça a suspeita de proximidade com o núcleo investigado.
A quebra de sigilos bancários e o Relatório de Inteligência Financeira reuniram indícios de pagamentos de contas, movimentações financeiras e vínculos societários entre o desembargador e o empresário. Para os investigadores, esses dados sugerem que Luciano teria funcionado como elo entre o magistrado e operações de interesse do grupo.
Um dos pontos mais sensíveis da apuração é o pagamento de 11 boletos bancários que teriam beneficiado Dirceu dos Santos e familiares. O valor total chega a cerca de R$ 258 mil. A investigação também menciona operações imobiliárias vistas como fora do padrão, algumas feitas por terceiros, o que passou a ser tratado como possível tentativa de ocultação patrimonial.
A Polícia Federal ainda destacou transferências de aproximadamente R$ 2,1 milhões para empresas e pessoas ligadas a Luciano Cândido Amaral entre outubro de 2023 e janeiro de 2025. Parte dessas movimentações ocorreu perto de ações consideradas relevantes e com decisões assinadas por Dirceu dos Santos, o que, na avaliação dos investigadores, chama atenção pela proximidade temporal.
Outro elemento citado na decisão envolve mensagens entre advogados. Em uma delas, Roberto Zampieri pediu a interferência de Luciano para “organizar esse efeito suspensivo”, e a liminar teria sido concedida no dia seguinte, em menos de 24 horas. Para a PF, o episódio reforça a hipótese de acesso privilegiado ao desembargador e amplia o peso político e institucional do caso.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A investigação atinge um ponto sensível do Judiciário porque envolve possível relação entre dinheiro, acesso e decisão judicial. Se as suspeitas se confirmarem, o caso reforça a percepção de que a Justiça pode ser influenciada por redes paralelas, o que corrói a confiança pública. Para a sociedade, o efeito vai além do escândalo: aumenta a pressão por controle interno mais rígido e por rastreio financeiro mais eficiente em disputas judiciais.

Faça um comentário