PGR aponta uso de transportadora de lobista de MT para circular R$ 572 milhões

A Procuradoria-Geral da República afirma ter identificado uma rede financeira de grande porte ligada ao lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves. Segundo a denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal, a empresa Florais Transportes recebeu cerca de R$ 572,5 milhões em créditos entre 2019 e 2024.

Para a PGR, a transportadora teria funcionado como peça central para esconder e circular valores associados ao suposto esquema de venda de decisões e de informações sobre processos no Superior Tribunal de Justiça. A lógica apontada pelos investigadores é que uma empresa de grande giro facilita a mistura entre dinheiro legal e recursos de origem suspeita.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal reforçariam essa tese. Em uma das conversas citadas na denúncia, o próprio Andreson teria explicado que o alto volume de movimentação da empresa ajudava a receber quantias elevadas sem chamar atenção dos órgãos de controle.

A investigação também indica que parte do dinheiro era repassada a outras empresas e a operadores financeiros. Esses intermediários fariam saques em espécie de forma fracionada, com o objetivo de driblar comunicações automáticas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.

Um dos investigados, segundo a PGR, teria feito centenas de retiradas abaixo de R$ 50 mil, valor que costuma acionar monitoramento bancário. Na prática, esse tipo de operação dificulta o rastreamento do dinheiro e amplia o risco de lavagem de recursos no sistema financeiro.

O caso surgiu a partir da apuração do assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em Cuiabá em dezembro de 2023. A análise do celular da vítima levou a Polícia Federal a mensagens que, na visão da PGR, revelaram negociação de decisões judiciais e vazamento de minutas do STJ.

Além de Andreson, a denúncia alcança servidores do tribunal, empresários, operadores financeiros e familiares de investigados. Eles respondem por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e exploração de prestígio. A defesa do lobista nega as acusações e diz que a PGR ignorou elementos já apresentados na apuração.


Comentário do Bastidor:

O caso mostra como estruturas empresariais podem ser usadas para dar aparência de legalidade a fluxos financeiros suspeitos, o que afeta a confiança no sistema de controle e no mercado. Quando recursos circulam por empresas de fachada ou com grande volume de transações, o monitoramento bancário fica mais difícil e o custo da fiscalização sobe. Se as suspeitas forem confirmadas, o impacto vai além do processo penal: episódios assim aumentam a pressão por regras mais rígidas de prevenção à lavagem de dinheiro. Isso também reforça o risco de uso de serviços financeiros e empresariais para esconder origem de valores que deveriam estar fora da economia formal.

RODAPE:
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*