A troca de críticas entre o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e o deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB) elevou a tensão em torno das fiscalizações de obras públicas em Mato Grosso. O conselheiro respondeu à acusação de que estaria usando as visitas técnicas para fazer “espetacularização midiática”.
Na tribuna da Assembleia Legislativa, durante sessão ordinária de quarta-feira (10), Chico Guarnieri afirmou que o órgão de controle não pode ser tratado como espaço político. Para o parlamentar, a exposição pública das vistorias não pode substituir o devido processo legal nem servir como vitrine.
A reação de Sérgio Ricardo veio em uma transmissão ao vivo no Instagram. Ele disse ter procurado o deputado para entender a origem das declarações e afirmou que Guarnieri teria sido estimulado por outras pessoas, sem citar nomes.
O presidente do TCE disse respeitar a Assembleia Legislativa e lembrou sua trajetória como ex-deputado e ex-presidente da Casa. Ao mesmo tempo, questionou por que o parlamentar seria contrário à fiscalização e às idas do tribunal a obras e estradas em Mato Grosso.
Sérgio Ricardo também insinuou que as críticas não teriam partido apenas do deputado. Ele afirmou que o assunto merecia reação dos eleitores de Chico Guarnieri e levantou dúvida sobre quem teria pedido para o parlamentar se posicionar contra as inspeções.
Durante a live, o conselheiro reforçou que não pretende reduzir o ritmo das vistorias, citando como exemplos as obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande e a pavimentação da MT-170. Segundo ele, o trabalho de campo vai continuar.
Sérgio Ricardo ainda negou motivação eleitoral e afirmou que não precisa de votos. Ao defender a atuação do TCE, disse que a fiscalização é uma obrigação institucional e que seguirá nas inspeções porque, nas palavras dele, esse é o papel do órgão.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
O episódio mostra como a fiscalização de obras públicas virou também disputa de narrativa política. Quando um órgão de controle amplia sua presença em campo, cresce a pressão sobre parlamentares e gestores que se sentem expostos. Para o cidadão, o ponto central é outro: se a atuação do TCE resultar em mais cobrança e menos obra parada, a cobrança pública tende a ter efeito prático. Mas o embate também revela que, em Mato Grosso, controle externo e ambiente político seguem em rota de colisão.

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