STF deixa Lei da Pesca sem definição e pressão cresce sobre pescadores em MT

A disputa em torno da Lei da Pesca de Mato Grosso continua sem desfecho no Supremo Tribunal Federal, mesmo com três ações diretas de inconstitucionalidade já em tramitação. Na prática, a ausência de decisão mantém em vigor as restrições que afetam pescadores artesanais, famílias ribeirinhas e a atividade econômica ligada aos rios do estado.

Em vigor desde 1.º de janeiro de 2024, a norma proíbe captura, transporte e comercialização de 12 espécies até dezembro de 2028. A medida foi adotada sob o argumento de proteção da fauna, mas enfrenta rejeição da comunidade ribeirinha, que vê impacto direto na renda e na sobrevivência.

A última movimentação relevante ocorreu em julho de 2024, quando o ministro André Mendonça negou pedido liminar para suspender a lei até o julgamento final. A norma foi contestada por MDB, PSD e pela Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores.

Depois disso, o MDB pediu a revisão da decisão e cobrou urgência na análise de mérito, alegando que o auxílio estadual de um salário mínimo não garante sustento aos pescadores artesanais. A Defensoria Pública da União também entrou no caso para atuar ao lado do coletivo de pescadores do estado.

No fim do ano passado, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso levou a questão ao presidente do STF, Edson Fachin, e pediu prioridade no julgamento. O argumento foi que pescadores profissionais, artesanais e famílias ribeirinhas estariam em situação grave por causa da restrição sobre espécies de maior valor comercial.

Só em janeiro deste ano houve novo despacho. Mendonça pediu informações sobre a eficácia da suspensão da pesca e sobre os resultados da política pública, além de relatórios do observatório criado para monitorar a lei e dados atualizados sobre o auxílio financeiro pago aos pescadores.

Governo estadual e Assembleia pediram mais prazo para responder, alegando que o tempo era insuficiente para reunir os documentos. Desde então, não houve nova decisão. No início deste mês, a WWF-Brasil também pediu para atuar como assistente na defesa dos pescadores.

A lei foi aprovada no fim de 2023 e alterada em fevereiro do ano passado para tentar reduzir risco de derrubada judicial. A mudança liberou a pesca artesanal, mas manteve a proibição de cachara, caparari, dourado, jaú, matrinxã, pintado/surubin, piraíba, piraputanga, pirara, pirarucu, trairão e tucunaré.

Os ribeirinhos contestam a exceção, dizendo que justamente esses peixes têm maior demanda no mercado. Como a norma completa três anos neste ano, ela poderá ser reavaliada pela própria Assembleia Legislativa.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A indefinição no STF prolonga a incerteza para um setor que depende do rio para gerar renda imediata. Quando a regra trava a comercialização de espécies mais valiosas, o efeito vai além da pesca: alcança consumo local, transporte e a circulação de dinheiro em cidades ribeirinhas. O auxílio estatal ajuda, mas tende a ser insuficiente para sustentar famílias por muito tempo. Enquanto o mérito não é julgado, o custo social da espera continua alto.

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