TCE amplia apuração sobre livros com erros e suspeita de desperdício na educação de Cuiabá

A fiscalização sobre a compra de livros e kits escolares em Cuiabá ganhou novo alcance após o Tribunal de Contas do Estado apontar falhas em materiais adquiridos pela rede municipal. O presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, afirmou ter identificado 11 erros em um livro de 31 páginas analisado em vistoria no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação.

A denúncia já havia sido tornada pública pelo prefeito Abilio Brunini (PL). Os materiais foram comprados na gestão do ex-secretário de Educação Amauri Monge, que também ocupou cargo de secretário-executivo na área durante o governo estadual.

Em live no domingo, Sérgio Ricardo exibiu outros exemplares com problemas de português, pontuação e conteúdo incorreto. Um dos casos citados foi um livro de educação financeira que, segundo ele, informava salário mínimo de cerca de R$ 620 ou R$ 720, valor distante do piso nacional atual de R$ 1.621.

Além dos erros, o conselheiro questionou a utilidade de parte do material comprado. Ele disse que a educação financeira não integra a grade das escolas vistoriadas, o que teria deixado milhares de livros guardados sem uso. Também apontou compra de material de informática para unidades sem aula da disciplina e sem professor responsável.

Na mesma inspeção, o TCE observou kits de higiene com conteúdo praticamente repetido, variando apenas itens como creme dental, fio dental e escova. Sérgio Ricardo também criticou produtos destinados a crianças pequenas que, segundo ele, foram pensados para dentes permanentes, o que reforça a suspeita de gasto inadequado com dinheiro público.

O presidente do tribunal voltou a mencionar o valor desembolsado pela prefeitura, estimado em cerca de R$ 50 milhões, e disse que a auditoria será ampliada para outras escolas de Mato Grosso, inclusive da rede estadual. O objetivo é verificar o que foi comprado, quanto custou e se os materiais chegaram a ser usados em sala de aula.

A apuração já havia sido aberta na quarta-feira, após o prefeito falar em possível rombo acima de R$ 80 milhões e citar livros adquiridos por valores próximos de R$ 1 mil e R$ 370. Agora, o TCE quer cruzar os dados com a realidade das unidades escolares e também examinar aquisições da Seduc-MT nos últimos anos.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

O caso expõe um problema que vai além do erro material: quando livros e kits são comprados sem aderência ao currículo, o dinheiro público perde eficiência e o resultado não chega ao aluno. Para o contribuinte, isso significa menos retorno de recursos que deveriam melhorar a aprendizagem. Se houver repetição desse padrão em outras compras, o desperdício pode pressionar ainda mais o orçamento da educação e reduzir espaço para investimentos realmente úteis.

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