Senadores de MT entram em debate sobre jornada flexível e proposta contra o fim da escala 6×1

A discussão sobre a jornada de trabalho voltou ao centro do debate no Senado com a adesão de dois senadores de Mato Grosso a uma proposta alternativa ao fim da escala 6×1. Wellington Fagundes, do PL, e Jayme Campos, do União, estão entre os 40 parlamentares que assinaram a PEC apresentada por aliados do senador Flávio Bolsonaro.

A iniciativa, chamada de PEC do Horário Flexível, não fixa a redução da jornada para 40 horas semanais com dois dias de descanso, como defende a proposta aprovada na Câmara. O texto abre espaço para negociação entre empregado e empregador sobre a carga horária, com a justificativa de ampliar escolhas no regime de trabalho.

Na prática, críticos veem risco de enfraquecimento da proteção ao trabalhador, já que a negociação ocorre entre partes com poder diferente. É justamente esse ponto que levou a deputada Érika Hilton a classificar a proposta como uma espécie de “7×0”, ao argumentar que ela pode permitir trabalho sem descanso regular.

Jayme Campos afirmou que a proposta busca dar ao empregado o direito de escolher a carga horária e equilibrar a relação com o patrão. Wellington Fagundes defendeu que a medida amplia direitos e respeita a realidade de diferentes setores da economia, argumento usado por quem resiste ao modelo com jornada reduzida.

No documento assinado pelos senadores, a PEC afirma que o trabalhador poderia optar entre a CLT tradicional e uma jornada flexível por horas trabalhadas. O texto sustenta que essa liberdade ajudaria a conciliar vida pessoal e trabalho, além de adaptar a rotina às exigências do mercado.

Entre os senadores de Mato Grosso, Carlos Fávaro é o único alinhado ao fim da escala 6×1. Ele afirma que a mudança pode garantir mais dignidade, saúde e qualidade de vida, associando o tema a emprego e crescimento econômico sem exaustão.

A disputa tem peso político direto em Mato Grosso, porque Jayme Campos e Wellington Fagundes são pré-candidatos ao governo do Estado. O posicionamento deles sobre a jornada de trabalho também entra no cálculo eleitoral, em um tema sensível para trabalhadores e para setores que dependem de escala intensa.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A disputa sobre a jornada de trabalho vai além do discurso político: ela mexe com renda, descanso e segurança para o trabalhador. Se prevalecer um modelo mais flexível sem salvaguardas claras, a tendência é aumentar a assimetria na negociação entre patrão e empregado. Para as empresas, a mudança pode aliviar custos operacionais, mas também abre debate sobre produtividade e rotatividade. Para famílias, o impacto aparece no equilíbrio entre mais horas de trabalho e menos tempo de descanso, um fator que pesa diretamente na qualidade de vida.

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