O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não vê problema na auditoria aberta pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para apurar uma denúncia de suposta pedalada fiscal acima de R$ 100 milhões na Educação municipal. Segundo ele, a fiscalização deve seguir sem qualquer limitação.
Abilio disse estar seguro diante das acusações atribuídas ao ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, que motivaram a abertura do procedimento. O prefeito afirmou que não teme a apuração e declarou que sua gestão pode ser examinada.
A investigação foi determinada pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, após a denúncia de que a Prefeitura teria deixado de repassar mais de R$ 100 milhões à Secretaria Municipal de Educação. A suspeita é de que os recursos tenham sido retidos, embora o município tenha cumprido formalmente o percentual mínimo exigido para investimento na área.
Na prática, se a retenção for confirmada, o caso pode atingir diretamente o planejamento da rede municipal. A auditoria vai verificar a execução orçamentária e financeira, buscar eventual desvio de fluxo de verbas e medir possíveis efeitos sobre o funcionamento das escolas.
A nova frente de apuração se soma a outras fiscalizações já em curso na Educação de Cuiabá. Na semana passada, o TCE-MT encontrou milhares de livros armazenados sem uso pedagógico durante vistorias em unidades escolares e no centro de distribuição da pasta.
O tribunal também apontou falhas em materiais que podem gerar contratos de até R$ 159 milhões entre 2025 e 2026. Entre os problemas identificados, houve erro de português, incoerência de conteúdo e informações desatualizadas, inclusive em coleção de educação financeira que citava salário mínimo em torno de R$ 720.
O órgão ainda investiga possíveis fraudes em registros escolares e dois processos seletivos da Secretaria Municipal de Educação. O relator Waldir Teis notificou Abilio Brunini e o secretário Reginaldo Alves Teixeira para apresentarem esclarecimentos e documentos sobre a escolha de diretores e coordenadores, além da contratação de monitores do Programa Escola em Tempo Integral.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A abertura da auditoria amplia a pressão sobre a gestão da Educação em Cuiabá e coloca sob escrutínio o uso de recursos que deveriam chegar à rede escolar. Se houver retenção de verbas, o impacto pode aparecer em atraso de despesas, compras mal planejadas e dificuldade para manter serviços básicos. Para a população, o ponto central é a eficiência do gasto público: quando a execução orçamentária falha, o efeito recai sobre alunos, famílias e servidores.

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