A crise em torno da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (3), depois que o deputado Wilson Santos (PSD) afirmou ter recebido denúncia sobre a morte de um servidor da área de Tecnologia da Informação no mesmo período do ataque cibernético investigado pela pasta.
A informação foi dada em entrevista à TV Vila Real. O parlamentar disse que o caso chegou ao seu gabinete por denúncia anônima e que sua equipe ainda busca confirmar os detalhes. Para ele, os relatos sobre a invasão aos sistemas podem ser mais graves do que se imaginava.
Wilson Santos preside a CPI aberta para apurar a situação da SES. Segundo ele, o colegiado deve se reunir ainda nesta quarta para aprovar novos requerimentos e avançar na verificação técnica do material ligado ao ataque.
O deputado também afirmou que a comissão seguirá ouvindo testemunhas e convocando investigados. Entre as próximas etapas, citou a oitiva dos dois delegados responsáveis pela Operação Espelho e a convocação de empresários, além da tentativa de ouvir o atual e o ex-secretário da Saúde.
A SES informou na terça-feira (2) que o ataque cibernético foi identificado em março e está sob investigação da Polícia Civil. De acordo com a secretaria, os invasores teriam exigido pagamento para devolver dados supostamente sequestrados.
Em nota, a pasta disse que os arquivos atingidos representam menos de 1 terabyte do total armazenado e que o material foi recuperado por sistemas de contingência. A secretaria sustenta que a base principal não foi comprometida e que os atendimentos à população não sofreram interrupção.
O órgão também afirmou que não houve pagamento de resgate e que o caso foi comunicado à Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos e Cibernéticos e à Agência Nacional de Proteção de Dados. Sobre a morte do servidor, a SES disse não haver evidência técnica ou administrativa que ligue o falecimento ao incidente.
O novo elemento político aumenta a pressão sobre a SES e pode ampliar o desgaste institucional da pasta. Em casos como esse, a consequência mais sensível para o cidadão é a confiança na segurança dos dados e na capacidade do Estado de responder a falhas graves. Se a investigação avançar, a discussão deve sair do campo da crise pontual e chegar à qualidade da gestão digital dos serviços públicos. Para a população, o ponto central é saber se houve risco real à informação e se a estrutura de proteção é suficiente para evitar novos episódios.
RODAPE:
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.

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