Gaeco avança sobre Câmara de Várzea Grande em apuração que envolve eleição da Mesa e possível cassação

O Gaeco ouviu ao menos uma vereadora de Várzea Grande em uma investigação que mira suspeitas de corrupção, extorsão, cárcere privado e tentativa de tomar o controle do Executivo municipal. Lucélia Oliveira (Agir) negou ao Ministério Público qualquer envolvimento em compra de votos na eleição da Mesa Diretora, realizada em 14 de maio.

A existência de parlamentares chamados para depor foi confirmada pelo presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), em entrevista ao podcast Pode Revirar, nesta terça-feira (02). Sem citar nomes, ele afirmou que vereadores e vereadoras já passaram pelo Gaeco, enquanto relatava pressões e articulações durante a disputa interna no Legislativo.

Segundo a apuração, o Ministério Público trabalha com a hipótese de uma organização criminosa formada por 12 vereadores. O objetivo seria controlar a eleição da Mesa Diretora e, de forma indireta, provocar a perda do mandato da prefeita Flávia Moretti (PL), segundo o material investigado.

Na votação de 14 de maio, Wanderley foi reeleito por apenas um voto de diferença sobre Lucas Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita. A eleição acabou anulada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão tomada na sexta-feira (22), a partir de ação apresentada pelo vereador Bruno Rios (PL), líder de Moretti na Câmara.

A Chapa 1, encabeçada por Wanderley, informou que vai recorrer. Os nomes citados nas investigações incluem, além de Lucélia e do próprio presidente da Casa, Cilsinho, Braz Jaciro, Alessandro Moreira, Wender Madureira, Sargento Galibert, Dr. Miguel, Kleberton Feitoza, Raul Curvo, Enfermeiro Emerson e Gisa Barros.

O caso ganhou força com áudios que circularam em grupos de WhatsApp, nos quais aparece uma suposta articulação para cassar Flávia do cargo. Em outro trecho do cenário político local, a prefeita teria mencionado um “pacuzinho” que, segundo a suspeita levantada nas mensagens, seria cobrado por vereadores para aprovação de projetos enviados ao Legislativo.

A crise se intensifica também pela linha sucessória do município. Com a renúncia de Tião da Zaeli (PL) ao cargo de vice-prefeito, uma eventual perda de mandato da prefeita colocaria o presidente da Câmara na cadeia de substituição, hoje ocupada por Wanderley Cerqueira. O avanço do Gaeco, portanto, não afeta só o Legislativo, mas também o equilíbrio do poder em Várzea Grande.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

O caso pressiona a estabilidade institucional de Várzea Grande e amplia a incerteza sobre decisões que dependem da Câmara. Quando a disputa política entra no campo criminal, a rotina administrativa tende a travar, com reflexos diretos na aprovação de projetos e na governabilidade. Para o cidadão, isso costuma significar menos previsibilidade e mais risco de paralisia no serviço público. Se as suspeitas avançarem, o desgaste também pode afetar a confiança na própria representação política.

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