TCE barra licitação de R$ 92,9 milhões para obras em Chapada dos Guimarães

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso suspendeu a licitação do governo para obras em rodovias no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. O contrato, estimado em R$ 92,9 milhões, envolve pavimentação, duplicação e iluminação de trechos estratégicos da região turística.

A decisão foi assinada pelo conselheiro Domingos Neto e publicada em 29 de maio de 2026. O processo foi provocado por uma representação da empresa Terracon, que contestou a forma como o consórcio Guaxe/Encomind venceu a disputa.

Segundo a denúncia, a proposta apresentada pelo grupo teria sido alterada após o fim da fase de lances. O ponto mais sensível, segundo o TCE, está na planilha de custos do consórcio, que trouxe valor zero para itens considerados essenciais, como o canteiro de obras e a instalação de uma usina de asfalto.

Na avaliação do conselheiro, esse tipo de falha pode comprometer a execução do contrato. A corte apontou risco de paralisação das obras e de pedidos de aditivos, caso os custos reais apareçam só depois da assinatura.

O projeto prevê intervenções nas MT-020, MT-351 e MT-251, incluindo acesso ao Mirante, em mais de 30 quilômetros. As vias ficam dentro do parque ou no entorno, em uma área de forte interesse ambiental e turístico.

Na prática, a suspensão trava um investimento relevante para a mobilidade na Chapada dos Guimarães e adia melhorias esperadas por moradores, visitantes e empresas ligadas ao turismo. Também aumenta a pressão sobre a gestão estadual para refazer o processo com regras mais seguras e proposta compatível com o custo real da obra.

Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.


Comentário do Bastidor:

A suspensão do certame evita que uma obra bilionária em impacto local comece com risco de desequilíbrio financeiro no contrato. Quando itens essenciais aparecem zerados, cresce a chance de aditivos, atrasos e disputa judicial, o que costuma encarecer o projeto no fim. Para o cidadão, isso significa menos previsibilidade sobre quando a melhoria viária sai do papel e maior chance de uso ineficiente do dinheiro público. Em áreas turísticas, a demora também afeta circulação, serviços e atividade econômica.

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