O Tribunal de Contas de Mato Grosso deve exigir a reconstrução da MT-170 depois de identificar problemas graves em um trecho de 50 quilômetros da rodovia. A obra consumiu R$ 130 milhões dos cofres públicos, e parte do valor ainda está pendente de pagamento, segundo o presidente do órgão, Sérgio Ricardo.
A decisão foi anunciada durante vistoria feita uma semana após denúncias levadas por vereadores da Região Noroeste ao gabinete do conselheiro. Ele afirmou que o Tribunal vai cobrar a correção da estrada e disse que a situação compromete a segurança de quem trafega pela região.
Um dos pontos citados pelo TCE-MT foi a diferença entre o projeto original e o que foi executado. A documentação previa revestimento asfáltico de 7,5 centímetros, mas a pista recebeu camada de 5 centímetros de CBUQ, redução de 33% em relação ao planejado.
Para Sérgio Ricardo, essa alteração, somada à execução da obra e ao tráfego intenso de veículos pesados, ajuda a explicar o desgaste acelerado em vários pontos. Ele também alertou que trechos hoje em melhor estado podem apresentar o mesmo problema em breve, já que foram feitos com a mesma especificação técnica.
A vistoria expôs ainda o impacto direto da precariedade da via na rotina da população. Em um ponto onde o asfalto praticamente desapareceu, a equipe do TCE-MT encontrou uma ambulância levando pacientes de Cotriguaçu para tratamento em Juína. O motorista relatou que a condição da estrada atrapalha o deslocamento em situações de emergência.
Representantes de municípios da região reforçaram que a deterioração da MT-170 afeta mobilidade, acesso a serviços públicos e o transporte da produção agropecuária. A vereadora de Juína, Luiza Böer, disse que é preocupante a necessidade de novos gastos em uma obra recém-entregue, especialmente após notificações que, segundo ela, não resultaram em correções.
Também participaram da vistoria lideranças de Juruena, Aripuanã, Colniza e do setor produtivo. Eles destacaram que a pavimentação era uma demanda antiga e que a estrada é estratégica para o desenvolvimento do Noroeste mato-grossense, além de defenderem a atuação do Tribunal de Contas na apuração dos recursos aplicados.
Reportagem produzida pelo Bastidor MT com base em informações publicamente divulgadas pela fonte original.
A cobrança do TCE-MT expõe um problema que vai além da engenharia: obra mal executada vira custo dobrado para o contribuinte. Quando uma rodovia recém-pavimentada já exige reconstrução, o impacto recai sobre o orçamento público e sobre serviços essenciais que dependem da estrada. Para o cidadão, isso significa mais risco no deslocamento, frete mais caro e pressão indireta sobre preços em regiões abastecidas por essa rota. Também enfraquece a confiança na aplicação do dinheiro público, justamente em um estado onde a logística pesa na economia real.

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